Mulheres no Reggae

Rita marley, Tati Chimarruts, Dezarie, Izabella, Aline Duran, Filosofia Reggae

Dia 08 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, e é claro que não poderíamos deixar de prestar nossa pequena homenagem a todas as rainhas e rude girls.

Ao longo dos anos, as mulheres têm lutado para conquistar seu espaço e reconhecimento perante uma sociedade sexista. Essa batalha é travada em diversos campos, mas hoje vamos nos ater à música e dar a elas o merecido destaque.

O envolvimento das mulheres no Reggae é antigo, e, apesar de não ser muito comentado, tem fundamental importância em diversas manifestações realizadas por meio da música.

O machismo é notório na Jamaica, bem como em diversos países latinos e caribenhos, em partes pela história escrita por um modelo de sociedade patriarcal, machista, e autoritária, e também pela presença da cultura rastafári, que em alguns de seus fundamentos diz que o papel da mulher é cuidar do homem e elas são consideradas subordinadas a eles. Mas é importante ressaltar que nem todos os rastafáris seguem esse preceito.

Deixando de lado esse legado histórico e questões culturais, fato é que as mulheres contribuíram para a história do Reggae SIM, e abriram caminhos para futuras artistas. Para começar, vamos ver alguns nomes-chave que jamais devem ser esquecidos.

Sonia Pottinger

Começamos com a primeira mulher produtora de reggae da Jamaica e do mundo. Sonia produziu diversos artistas entre os anos 1960 e 1980 no Tip Top Records Shop, seu próprio estúdio. Na década de 1970, ela produziu álbuns de Bob Andy, Marcia Griffiths, Culture, U Roy e Big Youth. Sua produção mais conhecida é “Harder Than The Rest”, do Culture, lançada em 1978.

Sonia Pottinger
Sonia Pottinger

 

The I-Threes

Em 1974, Rita Marley, Judy Mowatt e Marcia Griffiths se uniram para formar o grupo vocal I-Threes, que acompanhou Bob Marley até sua morte em 1981.

Rita Marley: A viúva de Bob Marley manteve a música e a mensagem da lenda do Reggae viva mesmo após sua morte prematura. Ela também é uma artista solo e lançou vários LPs. Atualmente, ela é presidente da Fundação Robert Marley, Bob Marley Trust, e criou a Fundação Rita Marley, com foco na redução da pobreza.

Rita também colaborou com o Gilberto Gil durante as gravações de seu disco de reggae “Kaya n’gan daya”, uma homenagem a Bob Marley, concedendo entrevistas especiais ao cantor brasileiro.

Judy Mowatt: Além de contribuir com o seu talento para o I-Threes, Judy sua bela voz para álbuns de Jimmy Cliff, Peter Tosh, Big Youth, Pablo Moses, U Roy, Freddie McGregor, e o Wailing Souls.

Suas gravações solo, incluindo o hir “Black Woman” em 1980 e “Only a Woman” de 1982, fez com que ela fosse reconhecida como uma porta-voz do movimento rastafári e de causas feministas.

Em 1985 foi a primeira mulher a ser indicada ao Grammy na categoria reggae music com seu LP “Working Wonders”, e ainda nos anos 1980 foi a primeira artista de Reggae do sexo feminino a cantar no programa Late Night with David Letterman.

Depois de 22 anos como rastafári praticante, Judy se converteu ao cristianismo e gravou vários álbuns gospel.

Marcia Griffiths: Talvez o nome mais conhecido da lista, Marcia é conhecida como a Rainha do Reggae. A hit maker começou sua carreira em 1960 e, cinco décadas depois, ainda mantém uma carreira solo de sucesso.. Ela é a voz por trás do single de Reggae cantado por uma artista feminina mais vendido de todos os tempos.

Em 2012, Marcia esteve no Brasil para participar do Maranhão Roots Reggae Festival.

Dawn Penn

Muito conhecida pelo single “You Don’t Love Me (No, No, No)”, gravado inicialmente no lendário Studio 1, de Coxsone Dodd, enquanto ela ainda estava no colégio. Em 1970, Dawn Penn se mudou para as Ilhas Virgens para constituir sua família, mas em 1987 voltou à Jamaica e se reencontrou com a música. Esse encontro resultou em uma regravação do hit “You Do not Love Me (No, No, No)”, que até hoje é destaque em diversos álbuns de compilação, remixes, e já liderou as paradas de Reggae em todo o mundo.

Sister Nancy

Conhecida como a primeira deejay mulher de Dancehall do mundo, Sister Nancy é responsável pelo sucesso “Bam Bam”. Ela quebrou barreiras e tabus para se tornar a primeira deejay do sexo feminino a se apresentar no Reggae Sunsplash Festival, na Jamaica, e também a primeira a se apresentar internacionalmente.

Ela lançou três álbuns “One, Two,” “The Yellow, The Purple, & The Nancy” (com Yellowman,  Fathead, and Purpleman), e o mais recente “Sister Nancy Meets Fireproof”, em 2007.

Esses são apenas alguns exemplos de mulheres influentes no universo do Reggae. Há alguns, mulheres como Lady Saw – cujas performances chegaram a ser proibidas na Jamaica – e Tanya Stephens também têm se destacado por sua atitude e letras que respondem ao machismo contido em músicas de cantores como Shabba Ranks, por exemplo. Destaque também para Sister Carol, cuja mensagem é rica em herança cultural e dissemina uma consciência social vital.

No Brasil

Os homens ainda são maioria no cenário do Reggae nacional, mas isso não quer dizer (nem de longe) que nossas mulheres não estão quebrando a banca por aqui e fazendo sua parte para contribuir para a criação de músicas de qualidade e também para tornar todo o movimento mais igualitário e unido.

Podemos destacar a cantora e compositora maranhense Célia Sampaio, conhecida como a Dama do Reggae, começou sua carreira em 1984 e foi a única mulher a integrar o grupo Guethos, primeira banda de reggae a tocar no palco do Teatro Arthur Azevedo, um dos antigos do Brasil, que fica na Cidade dos Azulejos na capital do Maranhão.

Célia também fez apresentações na Alemanha, e também no Estado do Pará. Atuou como Backing Vocal de cantores de reggae internacional, tais como, Erick Donaldson e Judy Boucher. Sua trajetória de destaque no gênero musical, até então dominado por homens no Brasil, lhe valeu o título de “Dama do Reggae”.

Nos anos 1990, Izabella Rocha, ex-integrante do Natiruts e fundadora da banda In Natura, também ajudou a disseminar a presença feminina no mundo do Reggae devido à forte presença do Natiruts na cultura pop do país.

Bandas com vocais femininos, como a mais do que conhecida Filosofia Reggae, Chimarruts, In natura, Namastê, Nazirê, entre tantas outras, também ganham cada vez mais destaque em todo o Brasil.

 

Olha essa interpretação:

 

Cantoras que percorrem os sound systems, como Lei Di Dai e Lioness Laylah, e nomes como o da e colecionadora Cecilia Nunes, dona de um dos melhores acervos do país, e Aline Duran, nossa princesa que mistura Reggae com Jazz, Neo Soul, R&B e Hip Hop, também ajudam a fortalecer a presença feminina no Reggae e suas vertentes.

 

 

Dicas de som

Agora, vamos ver mais alguns nomes de mulheres que talvez você conheça, e, caso não conheça, já pode adicionar ao seu repertório e dar o PLAY para celebrar esse dia:

  • Aisha
  • Althea & Donna
  • Christine Miller
  • Cynthia Schloss
  • Dezarie
  • Etana
  • Hortense Ellis
  • Janet Kay
  • JC Lodge
  • Phillis Dylon
  • Queen Ifrica
  • Sandra Cross
  • Sharon Little
  • Susan Cadogan
  • Sister Carol
  • Tanya Stephens
  • Xana Romeo